Clima
--°C
Canarana, MT

Mato Grosso Já registra 328 vítimas de estupro de vulnerável em três meses

Mato Grosso contabilizou 328 vítimas de estupro de vulnerável apenas nos 3 primeiros meses de 2026, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número revela uma realidade alarmante, com média de 4 novos casos registrados a cada 24 horas no estado.

Apesar de uma redução de 8,12% em relação ao mesmo período do ano anterior que registrou 137 casos, o monitoramento mensal acendeu um alerta. Após leve queda em fevereiro, com 104 registros, os registros voltaram a crescer em março, que contabilizou 116 vítimas, o maior índice do ano até agora.

Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, o crescimento dos números está ligado a dois fatores principais: o aumento da violência e também a ampliação das denúncias.

“Há um aumento, sim, no conhecimento e na divulgação. Quando os números vão aumentando, aumenta-se também a divulgação dos canais. Isso faz com que mais pessoas denunciem, mas também se verifica, infelizmente, uma crescente na violência”, afirmou.

Segundo a promotora, mesmo quando há estabilidade nos dados, o comportamento dos registros revela um cenário preocupante.

Esses números sobem, depois estabilizam, e voltam a subir. Assim como nos casos de violência contra a mulher, em 2026 já percebemos uma crescente. Isso ocorre tanto pelo aumento da violência quanto pela maior divulgação da rede de proteção”, explicou.

Perfil das vítimas

Os dados reforçam a vulnerabilidade de meninas e mulheres. Das 328 vítimas registradas, 280 são do sexo feminino, cerca de 85% do total.

De acordo com Claire, esse padrão já é conhecido pelas autoridades.

“A maior parte das ítimas são meninas, desde muito novas. Isso coincide com os dados da violência contra a mulher, que também é uma área de atuação mais específica do Ministério Público”, destacou.

Crimes dentro de casa

Um dos pontos mais alarmantes, segundo a promotora, é o fato de que a maioria dos casos ocorre dentro do ambiente familiar.

“A grande maioria desses crimes acontece dentro de casa. Os agressores, geralmente, são pessoas do convívio da vítima: parentes, amigos ou vizinhos. Isso dificulta muito a denúncia”, disse.

Ela alerta ainda que, muitas vezes, os casos acabam sendo ocultados.

“Infelizmente, muitas situações são abafadas dentro da própria família, e a criança acaba ficando sozinha, sem conseguir se libertar desse ciclo, o que gera traumas para toda a vida.”

A promotora destaca que ações educativas têm papel fundamental no aumento das denúncias, especialmente dentro das escolas.

“O Ministério Público desenvolve projetos como o ‘Prevenção Começa na Escola’, que utiliza teatro para abordar a violência de forma lúdica. Quando esse trabalho é realizado, a gente percebe um aumento nas denúncias, porque as crianças passam a se reconhecer nessas situações”, explicou.

Ela também reforça a responsabilidade de profissionais e da sociedade.

“Escolas, unidades de saúde, igrejas e toda a sociedade precisam estar atentas. Existe, inclusive, obrigação legal de profissionais da saúde notificarem casos de violência. A proteção das crianças é uma responsabilidade coletiva.”

Canais de denúncia

Casos de abuso e exploração sexual contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100 ou diretamente em delegacias e unidades do Ministério Público.

Fonte: Olho No Araguaia

Compartilhe

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
Twitter
Pinterest

Receba as últimas notícias mais relevantes do nosso portal direto no seu WhatsApp. Participe da Comunidade

PUBLICIDADE

Em Destaque

PUBLICIDADE

Leia mais

Boraver Araguaia
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade