Paciente relata complicações severas e ameaças por dívida inflacionada de R$ 300 para quase R$ 12 mil; inquéritos apuram lesão corporal e crimes contra o consumidor.
A Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) oficializou a instauração de procedimentos policiais para apurar uma série de supostas infrações penais decorrentes de um procedimento estético realizado em um estabelecimento particular de Querência (MT). A manifestação do órgão confirma as diligências preliminares sobre o caso de uma paciente que registrou boletim de ocorrência relatando complicações médicas agudas após a intervenção estética, além de denunciar ser alvo de um esquema de cobranças coercitivas.
O conflito central que baseia o inquérito reside em uma divergência comercial e na ausência de transparência na contratação, que teria ocorrido inicialmente por meio de redes sociais. Conforme o relato documentado pela vítima, uma harmonização de glúteos foi atraída por um orçamento inicial na faixa de R$ 300. Contudo, após a conclusão do serviço, a responsável pela aplicação teria exigido o pagamento de R$ 11.820,00. O registro policial detalha ainda que a operadora utilizou as dependências de uma clínica local, embora a denúncia aponte que ela não possuiria vínculo formal ou empregatício com o espaço.
As circunstâncias do atendimento desdobraram-se rapidamente para uma crise de saúde pública. A paciente narra que, logo após o procedimento nos glúteos, desenvolveu febre, dores intensas e dificuldade de locomoção, recebendo em unidade hospitalar o diagnóstico preliminar de suspeita de infecção bacteriana ligada à cirurgia. O boletim destaca um agravante: a operadora da intervenção teria prescrito medicamentos por conta própria para conter o quadro, prática estritamente vedada a profissionais sem habilitação médica. A PJC informou que essas complicações e a necessidade de acompanhamento médico serão objeto de rigorosa apuração técnica e pericial.
O escopo da investigação avança também sobre a conduta das envolvidas no período pós-operatório. A autoridade policial apura relatos de que uma pessoa ligada à esteticista iniciou uma rotina de pressão psicológica, ameaças e cobranças abusivas, culminando na exposição difamatória da paciente nas plataformas digitais como forma de retaliação e coerção financeira. Para tratar o caso com a precisão jurídica adequada, a Polícia Civil conduz um inquérito principal focado nos crimes contra o consumidor, liberdade individual e integridade física, e um procedimento paralelo, amparado pela Lei nº 9.099/1995, destinado às infrações de menor potencial ofensivo.
Polícia Civil confirma investigação sobre infecção e suposta extorsão após harmonização de glúteos em clínica de Querência
Paciente relata ter sido atraída por orçamento de R$ 300; reportagem apura que caso envolve ameaças por dívida inflacionada e prescrição irregular de medicamentos.

Foto: Reprodução
Uma moradora de Querência (MT) enfrenta supostas complicações médicas severas e relata ser alvo de intimidação após se submeter a um procedimento estético no município. A reportagem tomou conhecimento do caso por meio de fontes com acesso ao registro preliminar da ocorrência, o qual detalha uma cobrança que saltou de um acordo inicial de R$ 300 para R$ 11.820,00. Além da alegada coação financeira, a paciente alega que contraiu uma infecção bacteriana aguda diretamente ligada à intervenção, quadro clínico que exigiu a sua internação hospitalar por pelo menos cinco dias.
Imediatamente após a aplicação, a paciente apresentou febre alta, dores intensas e limitação motora restritiva, sendo encaminhada à urgência para conter a proliferação da bactéria inoculada durante o ato. O relato obtido pelas fontes indica ainda que a intervenção ocorreu nas instalações de uma clínica estética local, embora a responsável pelo procedimento não possuiria vínculo formal, societário ou empregatício com o estabelecimento.
A gravidade do episódio escala diante de indícios de exercício ilegal da medicina. Consta na denúncia que a operadora do procedimento chegou a fornecer medicamentos farmacológicos por conta própria para tentar conter a infecção da paciente, prática estritamente vedada a profissionais sem registro médico. O cenário de risco à saúde pública desdobrou-se de forma agressiva para a esfera penal: uma terceira pessoa, ligada à esteticista, teria iniciado uma rotina de cobranças coercitivas. A intimidação culminou na exposição e difamação da vítima nas redes sociais, com o intuito de forçar o pagamento do montante de quase R$ 12 mil sob intensa pressão psicológica.
O caso ilustra a vulnerabilidade de pacientes diante de intervenções corporais realizadas à margem do rigor sanitário e da transparência comercial, um desafio recorrente para a saúde pública no interior do estado. Até a publicação desta reportagem, a Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT) ainda não havia se manifestado oficialmente sobre o início das diligências judiciárias ou a formalização de um inquérito. O espaço permanece aberto para que os envolvidos apresentem suas defesas e esclarecimentos, caso as identidades se tornem públicas no curso da investigação.









