A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar uma suposta ameaça de um policial federal da ativa, que não teve o nome revelado, acusado de ameaçar um estudante de Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A vítima foi o responsável por denunciar na Polícia uma lista que rotulava alunas da universidade como “estupráveis”.
A apuração foi confirmada nesta terça-feira (19) e está sendo apurada pela 3ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.
De acordo com as investigações, o policial é pai de um dos estudantes que estaria entre os responsáveis pela lista. O policial foi gravado por câmeras andando pelos corredores teria do campus na Capital ao lado do filho.
Registros mostram o homem percorrendo os corredores da instituição com um boné preto, uma mochila e um objeto na cintura com aparência similar a uma pasta. Ele teria intimidado o estudante que fez as denúncias.
O estudante, então, registrou um boletim de ocorrências. A Polícia Civil já intimou o agente formalmente para esclarecer os fatos, mas ele ainda não atendeu à convocação.
Segundo a Polícia, o policial federal também registrou um boletim de ocorrência em que afirma que seu filho estava sendo ameaçado por outros universitários e que essa teria sido a razão de sua presença na universidade.
Segundo inquérito
Outra frente ocorre na Delegacia Especializada de Defesa da Mulher (DEDM) e investiga os estudantes da UFMT que teriam feito a lista das alunas “estupráveis”.
A delegada Liliane Diogo, que responde pela DEDM, conduz as investigações e recebeu na última segunda-feira (11) uma série de documentações encaminhada pela UFMT. A partir desse material, foi instaurado o procedimento investigativo.
Segundo ela, o inquérito encontra-se atualmente na etapa de oitiva de testemunhas e na realização de outras diligências. Detalhes adicionais serão divulgados somente ao final da apuração, para preservar o andamento dos trabalhos.
Após o episódio, a UFMT decidiu manter em formato remoto as aulas e atividades da turma do primeiro semestre de Engenharia Civil até a conclusão das investigações.
O caso
A polêmica teve início no começo de maio, quando um estudante do curso de Direito da UFMT foi afastado preventivamente das atividades acadêmicas, apontado como um dos responsáveis pela criação de um “ranking de alunas mais estupráveis” que circulou entre alunos de diferentes cursos.
A divulgação de mensagens e áudios em aplicativos e redes sociais gerou forte indignação no ambiente universitário, resultando em protestos estudantis. O conteúdo dos diálogos reforçaria as condutas que agora são alvo de apuração.
O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) instaurou um procedimento administrativo e fixou prazo de cinco dias para que a reitoria da UFMT relate quais medidas internas estão sendo tomadas. Além disso, o órgão solicitou ao Centro Acadêmico de Direito (CADI) e ao Diretório Central dos Estudantes (DCE) que encaminhem, no mesmo período, todas as provas e registros documentais de que disponham a respeito do episódio.
De acordo com a universidade, o diretor da Faculdade de Arquitetura, Engenharia e Tecnologia (Faet), professor Roberto Barbosa Silva, acompanhou pessoalmente os estudantes à delegacia após as novas ameaças. O ambiente de insegurança mobilizou tanto os alunos quanto seus familiares, que demonstraram preocupação com a proteção dentro do campus. O suspeito já foi plenamente identificado pela Polícia Civil e aguarda-se seu depoimento.









