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Brasil Hantavírus está presente no mundo há cinco décadas’, diz infectologista

Após um surto de hantavírus se espalhar por um navio de cruzeiro holandês e deixar três mortos, a possibilidade de uma crise sanitária preocupa autoridades pelo mundo.
Em entrevista ao Jornal da Record News, a infectologista Luana Araújo tranquiliza o público e diz que a doença não é nenhuma novidade.
Nós conhecemos esse vírus há mais de 50 anos”, diz. “Ele é parte de um grupo de vírus que causam doenças diferentes e está presente no mundo todo. Existem hantavírus na Ásia, na Europa, nas Américas, como a gente tem aqui no Brasil.”
Segundo ela, o que acontece agora é que, com uma vigilância e um compartilhamento de informações mais acentuados, a situação ganha mais visibilidade.
Ainda que a forma mais comum de transmissão da doença seja pela inalação de partículas de urina, fezes ou saliva de roedores silvestres infectados, a cepa rara identificada no cruzeiro pode ser passada de humano para humano.
Luana explica que, como o vírus cria um quadro inicial bastante inespecífico, de sintomas respiratórios normais, a contaminação pode passar despercebida.
A grande diferença é que, nessas cepas, principalmente das Américas, isso evolui de uma maneira rápida para um acometimento pulmonar mais grave. E só aí é que as pessoas começam a pensar se isso é um desses patógenos mais comuns, ou será que é alguma coisa diferente que a gente não está prestando atenção”, pontua.
Ela também destaca que o período de incubação — o tempo entre o contato com o micro-organismo até o desenvolvimento de sintomas — se prolonga em cerca de seis semanas.
Nessas seis semanas, ninguém está sabendo que essa pessoa está doente e, quando ela abre o quadro, ele pode ser confundido com outras coisas. Então, eu não vejo que houve uma falha ali.”
Segundo a especialista, o problema se potencializou devido aos casos terem se manifestado em um ambiente fechado, de circulação coletiva restrita e acesso difícil a sistemas de saúde equipados.
“Isso tudo acaba promovendo desfechos mais complicados do que aquilo que a gente teria. Ela ressalta que a cepa do navio tem uma capacidade reduzida de transmissão entre humanos.
O risco de uma contaminação global, portanto, seria muito baixo.
“É preciso que haja um contato bastante prolongado e muito próximo para que exista a chance de ser bem-sucedido nessa transmissão”, ressalta Luana. “Então a gente consegue, obedecendo essa vigilância coordenada, […] deixar esses surtos autolimitados. Eles não costumam se espalhar.”
Fonte: R7

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