Na manhã desta quarta-feira (3), os operários da empreiteira BDR Construart paralisaram novamente as atividades no canteiro de obras da usina FS, localizada no município de Querência (MT). A retomada da greve geral acontece após o esgotamento do prazo de 48 horas dado à direção da empresa, que não apresentou soluções efetivas para os impasses financeiros e logísticos reivindicados pelos trabalhadores.
O movimento atual é um desdobramento direto da paralisação iniciada em 28 de maio. Embora a companhia tenha atendido a exigência de saneamento básico, instalando filtros e limpando os reservatórios de água, as principais demandas trabalhistas seguem sem acordo. O ponto central do conflito é o direito à visita familiar: o grupo, formado majoritariamente por migrantes de outros estados, exige que uma folga para o retorno às cidades de origem ocorra a cada quatro meses, rejeitando a imposição patronal de seis meses. A categoria também repudia o vale-alimentação fixado em R$ 300, montante considerado defasado frente ao alto custo de vida local, e critica o sistema da empresa de liberar o crédito em parcelas apenas após meses de trabalho concluído.
A insatisfação com a política de benefícios somou-se a graves denúncias de hostilidade nas condições ambientais. Funcionários abrigados nos alojamentos, relatam inclusive uma rotina de abusos cometida pela equipe de segurança armada do local, que impõe bloqueios de entrada após as 23h. A medida extrema já foi descoberta em operários proibidos de acesso às dependências do prédio, sendo forçados a dormir nas ruas. Os trabalhadores classificaram o monitoramento ostensivo como um método de opressão e apontam um tratamento hostil e discriminatório direcionado, especificamente, à mão de obra vinda das regiões Norte e Nordeste.
Sem estabelecer um canal de diálogo direto com os operários, as tratativas intermediadas pelo sindicato fracassaram, quebrando a promessa da empreiteira de pacificar a situação até dia 1º de junho. Diante do cenário inalterado, os grevistas decidiram manter os braços cruzados por tempo indeterminado e afirmam que a mobilização local reflete uma urgência nacional por dignidade nos canteiros de obras. Até o fechamento desta edição, a BDR Construart não divulgou um novo posicionamento oficial sobre o encerramento das atividades.









