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Criminosos investiram R$ 3,5 milhões em ataque a Confresa e roubaram R$ 2 mil, diz polícia

A investigação sobre o ataque no estilo “domínio de cidades” em Confresa (MT), em 2023, aponta que o grupo criminoso investiu mais de R$ 3,5 milhões na ação, mas levou R$ 2 mil de uma transportadora de valores, principal alvo na época. Segundo a polícia, os assaltantes não conseguiram burlar o sistema de segurança do cofre e fugiram apenas com o dinheiro que estava fora do aparelho.

As informações foram divulgadas pela Segurança Pública do estado, após o cumprimento de 27 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão na Operação Pentágono, nesta quinta-feira (9), em Mato Grosso e nos estados de São Paulo, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pará.

O caso é considerado o maior crime patrimonial da história de Mato Grosso. A investigação revelou a participação de, pelo menos, 50 pessoas, sendo 18 delas mortas em uma operação policial no Tocantins, ainda em 2023.

Segundo a polícia, o grupo esperava roubar entre R$ 30 milhões e R$ 60 milhões, mas não conseguiu levar os valores após a ação se prolongar além da 1h40 prevista, e os criminosos serem surpreendidos por uma grande quantidade de gás liberado na sala do cofre.

Ainda conforme a polícia, o financiamento do crime envolveu integrantes do grupo em diferentes estados do país.

À época, cerca de 30 criminosos invadiram a cidade, sitiaram a região e chegaram a atacar o quartel da Polícia Militar, que foi incendiado. O grupo contou ainda com o apoio de criminosos experientes em roubos a bancos, no chamado “novo cangaço” e em operações no estilo “domínio de cidades”.

Operação Pentágono

A terceira fase da Operação Pentágono cumpriu 27 mandados de prisão e 30 de busca e apreensão, além do bloqueio de 40 contas bancárias de investigados por envolvimento no roubo a uma empresa transportadora de valores, na modalidade “domínio de cidades”, em abril de 2023, em Confresa. Na época, o quartel da Polícia Militar também foi invadido e o prédio incendiado.

Os mandados foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Barra do Garças e cumpridos nos estados de São Paulo, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte e Pará.

As investigações apontaram ainda indícios de atuação interestadual da organização, que possui uma estrutura com divisão de tarefas entre os integrantes. Conforme a polícia, o grupo era organizado em seis núcleos específicos:

  1. Comando e financeiro;
  2. Planejamento e logística;
  3. Execução;
  4. Apoio e suporte no estado do Pará;
  5. Apoio e suporte no estado do Tocantins;
  6. Locação veicular, responsável pelo suporte durante a fuga.
Operação Canguçu

Em 2023, Tocantins foi palco de uma das maiores operações policiais do país, com a mobilização de cerca de 350 agentes de cinco estados na busca pelo grupo que fugiu para a região após o ataque em Confresa. Segundo a polícia, foram quase 40 dias de buscas, que terminaram com 18 suspeitos mortos e outros cinco presos. Já em 2026, 25 policiais militares de Mato Grosso foram promovidos por “ato de bravura” pelo governo estadual, em reconhecimento à participação na operação.

O que é ‘Domínio de cidades’?

O comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), tenente-coronel Rodolfo César Morotti Fernandes, explicou que o “domínio de cidades” é uma evolução do chamado novo cangaço.

“Seria uma forma mais violenta, com maior emprego de recursos e um efetivo maior por parte dos criminosos. Nesse tipo de ação, o grupo busca dominar a cidade, impedindo uma reação imediata das forças de segurança, para ter tempo de concretizar o crime”, afirmou.
Segundo ele, a principal diferença entre o novo cangaço e o domínio de cidades está na intensidade da ação. “Basicamente, a diferença é a quantidade de agentes envolvidos e o ânimo em impedir qualquer reação por parte da força de segurança local”, completou.

Relembre o caso

Em 9 de abril de 2023, cerca de 20 criminosos armados sitiaram a cidade de Confresa, a 1.050 km de Cuiabá, em uma ação coordenada.

Na ocasião, parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu policiais e incendiou o prédio público. Ao mesmo tempo, outros integrantes da quadrilha destruíram veículos e imóveis, instaurando um clima de terror entre os moradores.

O principal alvo era a transportadora de valores. Utilizando explosivos de alta potência, os criminosos tentaram arrombar o cofre, mas não tiveram êxito e fugiram, abandonando veículos e parte do material utilizado na ação.

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